Não me encontro…Em mim próprio não me encontro como se à deriva andasse. Sou vasto como o mar mas, como ele, circunscrito pela imensidão das terras. Onda vai e onda vem carregando consigo o cansaço inerente a uma insistência sem resultados. Mas eis que o mar não pára, pois é essa a razão da sua eterna existência: Onda vai e onda vem sem qualquer justificação ou razão aparente senão a vontade de ser ele próprio. Sou vasto como o mar e em mim próprio não me encontro porque, à sua semelhança, desconheço a minha grandeza…
Na mesa, ainda para dois, restam as evidências do único beijo da noite que não foi além de uma marca de batom num copo. Sempre preferiste tinto, do melhor, dizias até que caía bem em qualquer altura mas na mesa, ainda para dois, só resto eu e um mau vinho….
Falemos de amor. De olhos nos olhos, de mãos nas mãos e peito a peito ponhamo-nos a jeito de sentir. Muitas vezes basta que, muito naturalmente, à revelia dos receios e dos medos quase sempre infundados, nos permitamos ser amados. E ser amado não será difícil quando o coração, em boa hora, for desamarrado. Falemos de amor. Essa causa sem desconhecimento ou não fosse um sentimento transversal à condição humana. A meu ver, de tão intrínseco, ousaria considerá-lo um órgão vital a todos os órgãos vitais de um corpo. Façamo-lo como se da alma se tratasse, isto é, se o amor, esse amor de todas a histórias de final feliz ou não, não se resumir apenas a isso mesmo. Falemos de amor. De olhos nos olhos, de mãos nas mãos e peito a peito ponhamo-nos a jeito de sentir o que a alma nos confessa…. Falemos de Amor.
Por vezes gostava de ter o eterno privilégio de só sentir as palavras que quisesse. Assim, jamais diria dor, jamais diria desespero, tristeza… jamais diria Adeus. Uma despedida deveria ser obrigatoriamente um acordo entre todas as partes.
Não há palavra que te dedique sem toda a minha dedicação. Exagero? Não sei, da mesma forma que desconheço uma medida razoável para o amor. Penso até que qualquer tentativa de quantificação não seria razoável de todo. Deixemo-nos de medidas, categorizações, rótulos e parcas convenções pois há coisas cuja única explicação se merece com o simples acto de viver. É à sombra disto que se faz o homem de quem o amor é dono e que a ti deve dedicação, com todo o exagero que a forma, o conteúdo e a imaginação lhe permitem redigir. Não há palavra que te dedique sem toda a minha dedicação. Exagero? Não sei, mas deixemo-nos de medidas à medida que formos amando para que assim, muito naturalmente, amemos sem limite…
A distância entre nós e o País das Maravilhas é tão pouca quanto a imaginação nos permitir.
E quando por momentos achamos que podíamos ser melhores? Estará então instalada a frustração ou apenas a tomada de consciência de que a evolução é o caminho? Por várias vezes dou por mim próprio a ter acessos de motivação, idealismo, de inovação e empreendedorismo que rapidamente se acorrentam de hesitação. Chamemos-lhe prudência, a essa rede de segurança que em momentos de queda – nada livre, nada desejada – nos arranca do chão…E a vida continua e continua até lá onde os sonhos anseiam por adopção. Que se adoptem os sonhos então!!! Que se tome o caminho da evolução ainda que, prudentemente, acorrentados à hesitação.
Tirem-lhe o sorriso que não é dele e ele não voltará a sorrir
Tirem-lhe o olhar que não é dele e ele não voltará a olhar
Tirem -lhe tudo o que é dela e não voltará a amar.
Tirem-lhe o coração que não é dele e não voltará a sentir
Tirem-lhe a pele que não é dele e não voltará a tocar
Tirem-lhe tudo o que é dela e não voltará a amar
Tirem-lhe os sonhos não apenas seus e não voltará a sonhar
Tirem-lhe um amor não apenas seu e não voltará a amar
Tirem-lhe tudo o que é dela e nada mais haverá para tirar.
Que dizer das palavras
que não são ditas porque estás ausente?
Que dizer das coisas vividas
mesmo quando não estás presente?
Que dizer das memórias não esquecidas
guardadas para sempre?
Que dizer dos abraços desabraçados
sem o colo que os embala?
Que dizer dos sonhos guardados
de que o coração tanto fala?
Que dizer dos olhares perdidos
sem o destino que tu lhes dás?
Que dizer dos meus pobres sentidos
que não detectam onde estás?
Que dizer quando não há palavra
que traduza tal sensação?
Que dizer desta mágoa
que me habita o coração?
Que dizer das palavras
que não são ditas porque estás ausente?
Que dizer das coisas vividas
mesmo quando não estás presente?
Que dizer das memórias não esquecidas
guardadas para sempre?
Chamemos-lhes saudade,
se é que se aplica a expressão
a todos os que de verdade
ofereceram o coração.
A vida dá muitas voltas, é certo mas será que dá as voltas certas? Continuo a deixar cair no chão migalhas e migalhas para que não me perca, para que me encontres mas tarda a chegar o caminho certo. Pergunto-me se após tantos planos e rotas calculadas cabe ao acaso juntar-nos inesperadamente? Talvez sim, talvez não, talvez apenas. Até hoje só fiz planos para nós dois, ou não fosse eu conhecido por frases bem ao estilo do “logo se vê!” Sabes que a antecipação nunca foi o meu forte e mediante tantas pedras no caminho deixei de as apanhar e comecei a contorná-las. Aliás, posso mesmo afirmar que a minha vida se tem feito disso mesmo, de pedras e contornos mas por ti apanharei tantas quanto for preciso pois o caminho que procuro só tem destino se for a dois. Sabes que estou à altura e embora tenha a consciência de que não vai ser fácil é-me ainda mais difícil não te ter. Vivi por muito tempo numa falsa sensação de plenitude que perdi no mesmo dia em que nos conhecemos. Até então era completo, total, inteiro e hoje não sou mais do que aquilo que sou quando estou sem ti. Uma espécie de resumo ou síntese do homem a 100% que poderia ser. Por certo que sorriria a 100%, por certo que te amaria a 100%, por certo que viveria a 100% se um dia toda esta espera me compensasse. Mas que é feito da minha oportunidade? Que é feito do meu caminho certo que procuro e procuro nesta incerteza onde me perco sem ti? Procura-me, peço-te. Deixei migalhas e migalhas, não tenho o que mais deixar e as pedras que carrego pesam tanto… mas não demais para tantas voltas, desde que sejam as certas. Sabes onde encontrar-me, agora e sempre, basta que sigas o nosso coração.